Apesar das dificuldades, Carlos olha para essa época com carinho. "Quando estava do outro lado, eu adorava ver as histórias de pessoas que conseguiam a aprovação na universidade pública, pois me inspiravam. Hoje, quero retribuir isso", afirma.
Ao olhar a lista de aprovados no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) em 2024, Carlos teve a confirmação de que tinha conquistado a tão sonhada vaga no campus de Fortaleza. Porém, mesmo após ingressar no curso, ainda continuou pensando na redação.
Segundo ele, continuar a fazer anualmente a prova se tornou não só importante para ele, mas também para as pessoas que ele prometeu ajudar. "Comecei a dar aulas para os estudantes da minha cidade, oferecendo a eles o conhecimento que adquiri. Então vi que entender mais da prova era essencial", explica.
"A cada ano que passa, a prova da redação vem ficando mais criteriosa em relação à correção. Acredito que o ponto principal da prova, recentemente, seria a questão da originalidade. Ao longo desses anos, o meu foco foi tentar dominar essas particularidades, principalmente a originalidade e a argumentação", avalia.
Na visão de Carlos Eduardo, o tema da redação de 2025, “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”, era esperado entre quem estuda anualmente os padrões da prova do Enem.
"Foi um tema médio. É importante entender que, se aparece um tema muito amplo, com abordagens muito grandes, é preciso afunilar mais, deixar a rede, a correção mais criteriosa", recomenda.
Na introdução, Eduardo citou o professor e filósofo brasileiro Boaventura de Souza Santos, e a "sociologia das ausências". Este conceito investiga como algo considerado "não existente" é, na verdade, propositalmente invisibilizado pela sociedade hegemônica.
"O indivíduo da terceira idade é marcado por essa 'sociologia das ausências' quando ignoramos e invisibilizamos este grupo social", explica. Carlos também se utilizou dos estudos de necropolítica, do filósofo Achille Mbembe. "Nós matamos essas pessoas quando não cobramos atitude de um Estado omisso, que não desempenha políticas públicas".
egundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), ao elaborar a redação, os participantes devem ficar atentos às 5 competências que serão exigidas na correção:
- Demonstrar domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa;
- Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema dentro dos limites estruturais do texto;
- Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista;
- Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação;
- Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.
Cada competência é avaliada entre 0 e 200 pontos.
*Estagiário sob supervisão da jornalista Nayana Siebra"
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