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Estudo da Embrapa indica que 40% dos criatórios de ovinos no Ceará apresentam animais com brucelose; As regiões pesquisadas no Ceará incluem Inhamuns e Sertões de Crateús

Um levantamento inédito realizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), unidade Caprinos/Ovinos, em Sobral, aponta que 40% dos criatórios de ovinos apresentam animais infectados com brucelose em 15 municípios que integram as regiões Inhamuns-Crateús. A doença não é uma zoonose, ou seja, não é transmissível ao homem, mas traz impacto econômico significativo para a cadeia produtiva.

O estudo mostra que a prevalência de enfermidades em ovinos e caprinos nas diferentes regiões brasileiras traz impacto econômico e social maior que 25% e a mortalidade superior a 30%. A pesquisa foi realizada também nos territórios da Bacia do Jacuípe (BA) e nas bacias leiteiras da Paraíba e Pernambuco.

A equipe de sanidade animal da Embrapa está elaborando boletins técnicos para orientar os produtores sobre sintomas, cuidados e prevenção da enfermidade.

“É um quadro que merece atenção das instituições agropecuárias estaduais e municipais, além dos devidos cuidados por parte dos criadores. A doença traz prejuízos para os produtores por apresentar problemas de infertilidade nos reprodutores, aborto e crias doentes”.
SELMO ALVES.
Veterinário e pesquisador da Embrapa

Para Selmo Alves, é importante aprofundar os estudos e traçar estratégias para prevenção e enfrentamento do quadro de sanidade dos ovinos, isolando os animais afetados e evitando a propagação da doença por meio do sêmen e cobertura das matrizes.

“É necessário um plano de controle, com acompanhamento técnico, e todos os entes interagindo”, defendeu. “Inicialmente, estamos mostrando a existência do problema e seus impactos na atividade”

BASE FAMILIAR

A criação de ovinos e caprinos é feita em sua maioria por produtores de base familiar, no sertão cearense. São os pequenos criadores que em conjunto mantêm a atividade no campo e atendem parte da demanda de consumo de carne no Estado.

De acordo com o Censo Agropecuário de 2017, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) o território Inhamuns/Crateús tem 980.545 cabeças (ovinos e caprinos), sendo 66,8% pertencentes à agricultura familiar.O número de estabelecimentos que criam caprinos e ovinos representa 77% do total de fazendas criadoras de animais.  

Em Aiuaba, o produtor de base familiar, Francisco Andrade, contou que enfrentou problema de brucelose em ovinos.

“Comprei um reprodutor que estava doente e causou aborto nas matrizes”, disse. “Tive prejuízo de mais de três mil reais porque foi preciso abater os animais”.
FRANCISCO ANDRADE
Produtor rural

Os municípios que integram o território dos Inhamuns incluem Aiuaba, Arneiroz, Catarina, Parambu, Saboeiro e Tauá, que é a cidade polo. Já o território dos Sertões de Crateús abrange Ararendá, Crateús, Independência Ipaporanga, Monsenhor Tabosa, Nova Russas, Novo Oriente, Quiterianópolis e Tamboril.  

Tauá é o município cearense que possui o maior rebanho efetivo tanto de ovinos quanto de caprinos, com aproximadamente 6% da produção estadual.

Selmo Alves chama a atenção para o fato de que “a saúde animal e a aplicação de planos sanitários integrados e específicos por espécie nos diferentes territórios são fundamentais para a melhoria da produtividade dos rebanhos e competitividade dos diferentes mercados existentes nas regiões”.

O estudo feito pela Embrapa mostra a importância de se conhecer o quadro sanitário dos rebanhos, mapear a realidade da prevalência sorológica das doenças por região/território, os fatores de risco inerentes ao aparecimento das enfermidades, e ter em mãos as ferramentas de diagnóstico para as doenças.

brucelose
Legenda: O estudo feito pela Embrapa mostra a importância de se conhecer o quadro sanitário dos rebanhos
Foto: Foto: Honório Barbosa

“Um plano de controle integrado das doenças é baseado em um conjunto de ações de boas práticas de manejos, acompanhamento técnico e de diagnósticos visando à prevenção e mitigação das enfermidades”, reforça Selmo Alves.

A ação da Embrapa, em parceria com o Projeto Dom Helder Câmara (PDHC), desenvolvido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e financiado pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida), no âmbito do Programa AgroNordeste.

MAPEAMENTO

Doenças que afetam a reprodução dos caprinos e ovinos e causam abortos, malformações congênitas e mortes embrionárias deverão ser mapeadas nos territórios buscando as possíveis causas, se por traumas, o uso de medicamentos de forma indiscriminada e sem orientações técnicas, de transtornos alimentares e nutricionais, e problemas infecciosos causados por bactérias, vírus e protozoários.

A brucelose ovina é conhecida como epididimite ovina e é causada por um microrganismo chamado Brucella ovis. A doença afeta o sistema reprodutor dos animais.

Os sintomas ocorrem em diferentes níveis de inflamações no macho, principalmente nos testículos. Nas fêmeas, a inflamação acontece na placenta e endométrio.

As consequências são perdas reprodutivas, diminuição da fertilidade, problemas de parto e nascimento de animais fracos e doentes. A transmissão ocorre por meio de animais enfermos, com ou sem sintomas, principalmente durante o ato reprodutivo (monta), porquanto o reprodutor contaminado leva o microrganismo para as fêmeas, que durante a gestação, poderão apresentar distúrbios reprodutivos.

“O micróbio é transmitido via sêmen, colostro e leite contaminado, descarga vaginal e materiais oriundos de aborto”, explica o pesquisador da Embrapa Caprinos e Ovinos, Selmo Alves.

Ele alerta que o microrganismo permanece vivo, por 24 a 72 horas, em material de abortos, fezes e em instalações que não são higienizadas corretamente. Locais úmidos, com água empossada, material orgânico exposto e as chuvas favorecem a sobrevivência do micróbio no ambiente.

PREVENÇÃO

  • Saber se a propriedade de origem dos animais tem ou já teve problemas reprodutivos com os ovinos;
  • Isolar os animais antes de serem introduzidos no rebanho;
  • Realizar exames reprodutivos (inspeção e palpação) dos órgãos genitais masculinos verificando tamanho, temperatura, sensibilidade a dor e consistência, no período que antecede a estação de monta;
  • Fazer teste sorológico para brucelose ovina;
  • Separar os machos com até um ano de idade dos carneiros sexualmente ativos (fase de reprodução);
  • Limpar com frequência as instalações.

Foto: Foto: Honório Barbosa
Fonte - Diário do Nordeste 

 

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