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quinta-feira, 23 de abril de 2020

Ceará contabiliza 188 pacientes com Covid-19 que receberam alta médica

Foto: Camila Lima
Quarta-feira, 22 de abril. O céu das 18h já sinalizava que a noite se aproximava. No Hospital Leonardo Da Vinci, que abriga doentes contaminados com o novo coronavírus, duas cenas retratavam realidades distintas impostas pela doença. Enquanto um idoso com Covid-19 recebia aplausos depois de ter alta médica; no lado oposto do Hospital Leonardo da Vinci, outra pessoa era levada dentro de um caixão por não ter resistido à doença pandêmica.Dali, Domingos Fernandes Saldanha,
de 75 anos, regressaria de ambulância para o município de Barreira, onde mora. Já o paciente falecido, que não teve nome e idade divulgados, seguiu no veículo funerário. Duas pessoas que viraram estatísticas por motivos diferentes no mesmo endereço: na unidade referência para coronavírus. Um por estar entre os 188 pacientes que receberam alta hospitalar, e o outro por ser uma das 221 vítimas da doença.

Entre os 121 bairros de Fortaleza, epicentro local da doença, apenas o Moura Brasil não tem registros da doença. A área nobre ainda concentra o maior volume de casos, apesar de o vírus ter migrado para regiões periféricas. Meireles possui 238 confirmações, seguido por Aldeota (189) e Cocó (86). Os dados constam no informe semanal da Secretaria Municipal da Saúde (SMS).Por outro lado, a letalidade da doença se mostra mais acentuada em áreas com menor contagem de casos. O Vicente Pinzón acumula o maior índice: são 9 mortes em meio a 42 casos. São exemplos ainda: Cais do Porto, com apenas 15 casos e sete mortos; Barra do Ceará, com 37 casos e também sete óbitos; e São João do Tauape (34 casos e seis mortes). O Meireles é o único bairro das regiões economicamente mais favorecidas, com oito mortes. Alguns números, todavia, diferem dos divulgados pelo prefeito Roberto Cláudio na última segunda-feira (20), quando citou, por exemplo, que a Barra do Ceará já acumulava 9 óbitos.
Com base em evidências científicas, Fortaleza terá reajuste no protocolo de manejo de infectados pelo coronavírus. Segundo o prefeito Roberto Cláudio, estudos apontam que pacientes com grau sintomático leve podem ter comprometimento pulmonar. A identificação precoce do agravamento do quadro clínico, porém, pode reverter um prognóstico que inspire maiores cuidados no futuro.
Equipamento
Dessa forma, a SMS começou ontem a distribuição de oxímetros de pulso nos postos de saúde da Capital. O equipamento identifica tanto a saturação do oxigênio no sangue como impactos no pulmão do paciente. "A gente identificando isso na atenção primária pode encaminhar e internar o paciente precocemente, e mudar o prognóstico dele", ressalta o prefeito, indicando que cada unidade da atenção básica da Prefeitura terá, pelo menos, dois oxímetros.
O anúncio foi feito pelo próprio chefe do Executivo municipal durante transmissão nas redes sociais, ontem. Outra ação apresentada por ele foi a contratação de "mais ambulâncias com UTIs móveis", sem citar a quantidade exata dos novos veículos que irão atuar na transferência de diagnosticados com Covid-19.
Os pacientes poderão ser realocados das unidades IJF 2, Hospital Emergencial Presidente Vargas, UPAs e até para o Leonardo da Vinci, este último do governo estadual. "A realidade da epidemia nos impõe aumentar a nossa capacidade de transporte móvel de urgência, bem estruturado com equipamentos e profissionais pra gente acelerar a transferência da forma mais rápida e eficiente possível", justifica Roberto Cláudio.
Juntos, os dois hospitais municipais exclusivos para assistência de infectados pelo coronavírus, somam 152 leitos de UTIs. A unidade de campanha construída no estádio PV abriu os primeiros 51 leitos no último sábado (18) e mais 51 na terça-feira (21). Já no IJF 2, outras 10 acomodações foram entregues ontem, totalizando 50 leitos. De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), até às 21h de ontem, a taxa de ocupação em leitos de UTI somente em Fortaleza era de 83% e nas demais localidades do Estado, 69%.
Novo recorde
Ao passo que as estratégias sanitárias se voltam para frear a disseminação do Sars-CoV-2, os números no Ceará crescem a cada atualização do boletim epidemiológico da Sesa. O último registro da plataforma IntegraSUS, às 17h de ontem, trouxe à tona um novo recorde negativo: 433 confirmações da doença em 24 horas, o maior aumento desde sexta-feira (17) que teve 335 casos em um único dia.Em tempo, o Ceará calcula agora 4.115 pessoas infectadas e 221 mortos. A tendência de crescimento em diagnósticos laboratoriais fez a doença chegar a 109 municípios, sete a mais que o informe da terça-feira. Na contramão dos ajustes, a taxa de letalidade local que estava em 6% decresceu para 5,8%, distanciando-se assim da média nacional (6,4%).
Fortaleza centraliza 80,2% de todos os casos com 3.302 doentes, além de 191 óbitos. Na sequência, figuram municípios adjacentes da Região Metropolitana (RMF), embora com quantidades largamente inferiores às tabuladas na Capital. Caucaia soma 143 casos e oito mortes, enquanto Maracanaú 82 contaminações e seis falecimentos.
Sobral, na Região Norte, que tem 70 casos, entrou pela primeira vez para a lista das cinco cidades com mais anotações da doença. O município ultrapassou Aquiraz, que aparece em quinto lugar com 43 testagens positivas. Ambos não contabilizam mortos.

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