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sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Estados, como o CE, alertam para baixo estoque de soro contra raiva; O Ceará informou ao Ministério sobre o "cenário crítico"

Foto - José Leomar
Uma das estratégias de prevenção da raiva após suspeita de exposição ao vírus, o soro antirrábico tem registrado baixos estoques no País e levado estados a reforçar o alerta sobre o uso racional do produto. Secretarias estaduais de saúde de sete estados, entre dez procurados pela reportagem, confirmam os baixos estoques. São eles: Ceará, Bahia, Rio Grande do Norte, Mato Grosso, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina. Já Goiás, Amazonas e Pará informaram possuirem estoques estratégicos e soros em quantidade suficiente.

A situação tem levado estados com menor volume de soros a adotarem medidas e reforçar a profissionais de saúde a necessidade de observar protocolos de indicação do produto, na tentativa de evitar falta em casos de acidentes graves.
O Ceará informou ao Ministério sobre o "cenário crítico" e elaborou notas técnicas para apresentar aos municípios as formas de prevenção e as maneiras de otimizar o uso. Em São Paulo, a secretaria estadual de saúde diz que o envio "tem sido irregular e em quantidade insuficiente". De 2.500 ampolas solicitadas em outubro, só 29% foram entregues - do total, 40 doses inicialmente e o restante até o fim do mês.
Questionado, o Ministério da Saúde diz que o baixo estoque de soro antirrábico está relacionado a entraves na produção. De três fornecedores do produto ao SUS, apenas o Instituto Butantan está com a fabricação mantida.
Problema antigo
Segundo o Ministério, o problema ocorre desde 2015, e voltou a registrar alerta nos últimos meses. Em documento, a Pasta ressaltou que, diante da escassez, vem enviando para distribuição aos estados "cerca de 10% do quantitativo necessário".
Há locais que disseram ter recebido até 30% das doses solicitadas em outubro. Historicamente, a média de envio mensal do soro aos estados tem sido 12.000 ampolas. Atualmente, a Pasta diz ter 5.000 frascos em seu estoque.
Mordida
Em geral, o soro antirrábico é utilizado em conjunto com a vacina nos casos em que uma pessoa é mordida ou ferida de forma grave por um animal suspeito e há maior risco de adquirir a doença.
A indicação depende do tipo de exposição e das condições do animal agressor. Entre os critérios, está a ocorrência de ferimentos mais profundos, lesões em partes do corpo de maior circulação sanguínea e se há possibilidade ou não de monitorar o animal, por exemplo.
"O soro é utilizado toda vez que tem uma agressão grave ou que não conhece o animal, não sabe o status vacinal dele e não se tem como observá-lo", explica Rita Medeiros, consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia e professora da UFPA (Universidade Federal do Pará).
Segundo ela, a maioria das demandas no País tem sido devido a agressões por cães quando há algum desses critérios - nos demais, a indicação é apenas a vacina.
Ela cita ainda a indicação em caso de agressão por animais silvestres, como morcegos, que respondem pela maioria dos registros de raiva humana nos últimos anos. O objetivo é produzir anticorpos no local do ferimento, como forma de controle rápido do vírus. Isso ocorre porque a doença, que causa encefalite (inflamação do cérebro), tem letalidade de quase 100% - daí a importância de prevenção

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