Vereador e genro de prefeito de Quixadá são presos em operação

FOTO: ALEX PIMENTEL
Duas operações deflagradas pelo Ministério Público do Ceará (MPCE), com apoio da Polícia Civil, combateram crimes contra a administração pública em Quixadá, ontem. O presidente da Câmara dos Vereadores, uma servidora municipal, empresários e até o genro do prefeito foram presos na Operação Casa de Palha, a partir de mandados expedidos pela Justiça Estadual.

Segundo informações do MPCE, o vereador e presidente da Câmara, Francisco Ivan Benício de Sá, o 'Ivan Construções', foi preso preventivamente e afastado do cargo pelo prazo de 180 dias - sem prejuízo dos vencimentos. Paula Renata Bento Bernardo, servidora da Câmara dos Vereadores, foi presa temporariamente por cinco dias, e afastada das funções pelo mesmo período que o chefe da Casa.
Outros cinco suspeitos também foram detidos por força de mandados temporários de cinco dias. Um deles é o advogado Milton Xavier Dias Neto, o 'Neto Dias', genro do atual prefeito de Quixadá, Ilário Marques, e diretor executivo do Consórcio Público de Saúde da Microrregião de Quixadá (no qual o sogro é vice-presidente).
Foram detidos ainda os empresários Ricardo de Sousa Araújo e Silvana Mary de Souza e Silva, sócios da Construtora Salles e Araújo Ltda-ME; e Felipe Brito de Sá e Jonatas Ferreira de Lima, sócios da FJ Engenharia Assessoria e Serviços Ltda-ME. Os mandados foram expedidos pelo juiz Adriano Ribeiro Furtado Barbosa, respondendo pela 3ª Vara da Comarca de Quixadá.
O Ministério Público cumpriu mandados de busca e apreensão na Prefeitura Municipal de Quixadá; na Câmara de Vereadores; nas residências dos sete suspeitos presos e ainda da presidente da Comissão de Licitação da Prefeitura, Maryone Queiroz dos Santos, e de Francisco Ivan Benício de Sá Filho; e nas sedes das empresas FJ Engenharia, Construtora Salles e Araújo e Fall Construções e Serviços Ltda-ME.
O grupo é suspeito de cometer fraudes em licitações, peculato e outro ilícitos ligados à realização de obras de engenharia em Quixadá. Conforme uma fonte ligada à investigação, foram apreendidos documentos, licitações, notebooks e celulares. A Justiça também determinou a suspensão da execução do contrato de uma licitação que teve a FJ Engenharia como vencedora. Caso a ordem seja descumprida, a Prefeitura de Quixadá e o responsável pelo pagamento à empresa deverão pagar multa de R$ 100 mil.
Continuação
O MPCE aproveitou a deflagração da Operação Casa de Palha para dar sequência à 'Fiel da Balança'. A segunda fase da empreitada cumpriu mandados de busca e apreensão nas residências do vice-prefeito de Quixadá, João Paulo de Menezes Furtado, de 'Neto Dias' e de um colaborador da empresa RPC Locações e Construções Eireli - EPP, Dmitry Braga Lôbo.
A primeira fase da Operação foi deflagrada em agosto de 2018, para combater crimes de falsidade ideológica e de desvio de dinheiro público, relativos ao serviço de coleta de resíduos sólidos em Quixadá. O prefeito Ilário Marques e três secretários municipais foram afastados das funções, mas o gestor municipal retornou ao cargo em novembro do ano passado.
A Prefeitura de Quixadá alegou, em nota, que a ação realizada ontem compreende uma medida cautelar, ainda sigilosa. "A gestão municipal está tranquila sobre a normalidade dos trâmites dos processos licitatórios e vem colaborando com as investigações no sentido de garantir a transparência e lisura do fazer público", ressalta. As defesas dos investigados não foram localizadas pela reportagem.

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